CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010

Tema: "Economia e Vida"

Lema: " Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24) "

O que é a Campanha da Fraternidade ?

Criada em 1962, a Campanha da Fraternidade (CF) é um grande mutirão de evangelização e conscientização da Igreja Católica no Brasil, com o apoio de várias Igrejas cristãs. Organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) , a Campanha da Fraternidade é desenvolvida durante o período da Quaresma.

A cada ano é escolhido um tema para ajudar os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade e a solidariedade em compromissos concretos. Os Temas e Lemas de todas as Campanhas, desde 1964, testemunham o desejo autêntico de contribuir para a melhoria da vida e da ação cristã no Brasil e no mundo.

Campanha da Fraternidade 2010 ( CF 2010 )

O tema da Campanha da Fraternidade 2010 (CF-2010) é "Economia e Vida" e o lema, "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24)".

Proposta da CF-2010

A preocupação da Campanha deste ano é chamar a atenção de todos os brasileiros para as grandes ameaças que a vida humana vem sofrendo nos últimos tempos, como o aborto, a violência, a pobreza e a eutanásia, e para a indiferença com que essas agressões estão sendo tratadas.

Objetivos da CF-2010

Objetivo geral:Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão

Objetivos específicos:
 
- denunciar a perversidade de um modelo econômico que visa em primeiro lugar o lucro, aumenta a desigualdade e gera miséria, fome, morte
- educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como bem mais precioso
- conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para a implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todos.

 

CARTAZ DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE Explicação

“Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24). Com esta frase em destaque, o cartaz desta Campanha da Fraternidade representa o desafio de uma escolha quotidiana em nossa vida.

O fundo escuro evoca a penumbra de um templo onde, no recolhimento da oração, as mãos em atitude de súplica diante de uma vela feita não de cera, mas de dinheiro, revelam o drama do ser humano que precisa de bens materiais para satisfazer suas necessidades, mas que pode também se tornar escravo da ganância.

Aquelas mãos suplicantes dirigem uma prece a Deus, ou ao Dinheiro como se fosse Deus? É a luz de Deus que ilumina ou é o cintilar do ouro que atrai? O dinheiro é necessário no mundo dominado pelo mercado, onde tudo se compra e se vende. Precisa-se de dinheiro para comprar alimentos, roupa, para cuidar da saúde, para pagar o colégio, para adquirir a moradia e custear o lazer.

O cintilar do ouro e das moedas, porém, se mistura facilmente com a ambição e o desamor. Você pode se tornar escravo dos bens materiais e depositar neles a sua segurança. Você pode viver acumulando dinheiro e propriedades como se deles dependesse a sua vida. Você não pensa que seus bens podem ser supérfluos e suas necessidades podem ser imaginárias, induzidas pela propaganda, pela moda, pelas promoções de fim de semana. Você também acaba esquecendo que há crianças abandonadas, pobres morando nas ruas, pessoas famintas e doentes, e fica cuidando do seu dinheiro como se fosse Deus, fechando os olhos sobre as necessidades do próximo.

Este Cartaz convida você a se libertar da dependência dos bens materiais. A pôr a sua confiança em Deus. A fugir da ganância e do egoísmo. A cultivar sentimentos de fraternidade. A contribuir com o seu trabalho e os seus bens, para a construção de um mundo mais justo e solidário.

 

ORAÇÃO DA CF-2010

Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida.
Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da conivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas.
Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida.
Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

Campanha da Fraternidade 2010 por Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

A Campanha da Fraternidade deste ano é uma campanha ecumênica, cujo texto foi produzido pelas Igrejas Cristãs que fazem parte do CONIC ,“Conselho das Igrejas Cristãs do Brasil”. O tema “Economia e Vida” quer propor uma ordem econômica a serviço da vida. Penso não ser ingenuidade pensar que uma boa instituição não funcionará bem se não houver pessoas especialmente movidas pelo amor à vida, à própria e a vida de todos os outros. As leis garantem o mínimo.

O amor dá o máximo. Donde o texto inspirador da CF de 2010: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”(Mt 6,24). Em sua última Encíclica “Caritas in Veritate”, o Santo Padre, Bento XVI nos advertia:  “O binômio exclusivo mercado-Estado corrói a sociabilidade, enquanto as formas econômicas solidárias, que encontram o seu melhor terreno na sociedade civil, sem contudo se reduzir a ela, criam sociabilidade. O mercado da gratuidade não existe, tal como não se podem estabelecer por lei comportamentos gratuitos, e todavia tanto o mercado como a política precisam de pessoas abertas ao dom recíproco.”(37). Mas pessoas abertas ao dom recíproco são aquelas que ultrapassaram a fase egocêntrica do próprio desenvolvimento, amadurecidas para o amor.

Todos temos tendência a retornar sobre o próprio EGO, egoísmo, e só mediante um esforço permanente de conversão conseguimos situar-nos no horizonte da reciprocidade. Donde ser a Campanha da Fraternidade um precioso processo de reflexão situado no contexto da quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, quando os cristãos celebram a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Hoje como nunca a humanidade pode verificar os efeitos destrutivos do egoísmo que infecta as relações humanas gerando estruturas injustas que atentam contra a vida.

A antropologia cristã se apóia em três afirmações fundamentais: a) Deus criou o ser humano para ser feliz na comunhão com Ele, vivendo em comunidade, construindo pelo trabalho um mundo cada vez mais humano, e, depois, participar na eternidade da plenitude de sua vida; b) a humanidade, entretanto, pecou desde o princípio, introduzindo na história a desordem, cuja raiz é a ruptura da relação com o próprio Deus. O pecado destrói a harmonia querida por Deus e se instala dentro do ser humano como um dinamismo que conduz para a morte. Abandonado a si mesmo o ser humano não consegue reconstruir na verdade e na justiça sua vida; c) Deus não abandonou o ser humano: amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho Único, Jesus Cristo, como Redentor(cf. Jo 3,16).

A missão redentora de Jesus, Ele a cumpre assumindo nossa condição de pecadores. São Paulo chega ao extremo de afirmar: “aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus”( II Cor 5,21). O Papa João Paulo II assim comenta essa passagem: “Para transmitir ao homem o rosto do Pai, Jesus teve não apenas de assumir o rosto do homem, mas de tomar também o « rosto » do pecado” (NMI 55). O profeta Isaias havia anunciado: “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. E o povo achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado. Mas estava sendo traspassado por causa de nossas rebeldias, estava sendo esmagado por nossos pecados...”(Is 53,4ss). E mais adiante: “com sua experiência, o meu servo, o justo, fará que a multidão se torne justa”(53,11). São Paulo assim descreve o caminho percorrido por Jesus: o Filho “esvaziou-se de si mesmo, assumindo a condição de servo” e “humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte e morte de Cruz”(Cf. Filip 2,6-8). “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo” e o fez “Senhor” (2,9-10).


Fonte: internet

Pastoral da comunicação Achiropita

 

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