Histórias das Festas Juninas
As festas juninas foram trazidas ao Brasil pelos portugueses, que já as celebravam na Europa, desde tempos mais remotos. Estas festas têm uma evidente conotação com o trabalho agrícola, por se tratar de uma manifestação que retrata a abundância da messe. Representam a sementeira, o curso do cultivo e a colheita, seguidas pelas comemorações festivas, quando se agradece pela safra e se faz um pedido para que a próxima semeadura tenha os mesmos resultados.
Os agricultores precisavam da fertilidade da terra a das condições benéficas do clima, recorrendo por isso à proteção dos deuses e dos elementos da natureza: a Terra, a Água, o Ar e, principalmente, o Fogo, revitalizador e transformador.
Daí o costume de acender fogueiras para afugentar os maus espíritos, de enfeitar as árvores, de dançar e cantar em regozijo e agradecimento. Durante muitos anos os rituais de fertilidade foram muito importantes para todos os povos e perduraram através dos tempos. Na era cristã não havia como ignorá-los, mesmo sendo considerados pagãos .
Por isso os festejos de solstício de verão em diversas partes da Europa e Oriente Médio, ao invés de condenados pela Igreja Católica, foram incorporados às comemorações do dia de São João, que teria nascido em 24 de junho, dia do solstício.
Em Portugal foi incluída a festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, em 13 de junho e a tradição houve por bem completar o ciclo com os festejos de São Pedro e São Paulo, ambos apóstolos de maior importância, homenageados em 29 de junho.
As festas juninas, hoje altamente difundidas nas áreas urbanas, homenageiam Santo Antônio, São João e São Pedro. Durante a noite inteira, se dança, canta e consome-se alimentos chamuscados pelo fogo e bebidas originárias dos produtos da terra.
Tudo isso acontece em pátios enfeitados com bandeirinhas, mastros e muitas barraquinhas onde todos dançam a quadrilha.
Santo Antônio
Embora fosse português de nascimento e natural de Lisboa, Santo Antônio recebeu seu sobrenome da cidade italiana de Pádua, onde teve sua última residência e onde suas relíquias são ainda veneradas.
Nasceu em 1195 e no batismo recebeu o nome de Fernando, que trocou pelo de Antônio, ao ingressar na Ordem dos Frades Menores, por devoção ao grande patriarca dos monges, S. Antão, que era titular da capela onde recebeu o hábito franciscano.Seus pais, jovens membros da nobreza portuguesa, confiaram-lhe a educação aos clérigos da catedral de Lisboa, mas, aos quinze anos de idade, ele entrou para os cônegos regulares de S. Agostinho, que se haviam estabelecido perto da cidade.
Dois anos mais tarde, recebeu permissão de se transferir para o priorado de Coimbra, então capital de Portugal, a fim de evitar as distrações que lhe causavam as numerosas visitas de seus amigos. Naquela casa dedicou-se à oração e aos estudos, adquirindo, graças a uma memória excepcionalmente retentiva, um conhecimento extraordinário da Bíblia.
O papa tinha o mais alto apreço por ele e certa vez o chamou de "Arca do Testamento", por causa de seu conhecimento singular das Sagradas Escrituras. A partir dessa época, Antônio residiu em Pádua, cidade na qual havia trabalhado anteriormente, onde era muito popular e na qual - mais do que em qualquer outra - lhe foi dada a graça de ver os frutos de seu ministério. De fato, seus sermões não eram apenas escutados por multidões enormes, mas provocavam uma reforma geral dos costumes.
Em defesa dos pobres, denunciava sempre o vício predominante da usura, fazendo com que o Estado promulgasse uma lei que isentava da prisão os devedores dispostos a largar mão de seus bens, para pagar a seus credores.
Depois de pregar uma série de sermões na primavera de 1231, as forças de S. Antônio cederam, e ele se recolheu, em companhia de outros dois frades, a um lugar retirado, cheio de árvores, em Camposanpietro. Logo se percebeu que seus dias estavam contados, e ele pediu que o levassem de volta a Pádua. Não conseguiu mais alcançar a cidade, mas apenas seus arredores.
No dia 13 de junho de 1231, recebeu os últimos sacramentos nos aposentos do capelão das Pobres Clarissas de Arcella. Contava apenas trinta e três anos de idade. Em seus funerais houve demonstrações extraordinárias de devoção e os paduanos sempre consideraram suas relíquias como seu mais precioso bem. Antônio foi canonizado um ano depois de sua morte, ocasião em que o papa Gregório IX entoou a antífona "O doetor optime" ["O Doutor exímio"] em sua honra, antecipando, deste modo, o ano de 1946, quando Pio XII o declarou Doutor da Igreja.
São João Batista
São João Batista era filho de Izabel e Zacarias e nasceu no dia 24 de junho na cidade de Judá. Chamaram-no "Batista" porque batizou Cristo, e o "Precursor" porque pregou imediatamente antes de Jesus Cristo, o anunciando.
Dizem que nasceu numa noite muito bonita e Isabel, para avisar Maria, mandou erguer um mastro em sua casa, acendendo uma fogueira para iluminar. Era o sinal combinado para a Virgem Maria visitá-la, levando uma capelinha, um feixe de palha seca e folhas perfumadas de manjericão. Chegando, Maria foi recebida por Isabel com os versos do "Magnificat".
João Batista morreu decapitado por ordem do rei Herodes, que assim agiu para agradar à filha de sua amante. Pregava a conversão e a penitência, batizando nas águas do Rio Jordão os que estavam dispostos a buscar uma nova vida. Embora tivesse muitos discípulos, deixava bem claro não ser ele o Cristo. Ao contrário, humildemente afirmava quando questionado: "Importa que Ele cresça e eu diminua". Sendo defensor e pregador da verdade, levou sua pregação às últimas conseqüências.É festejado com símbolos que evocam seu nascimento: fogueira de formato piramidal com base redonda, mastros, capelinha, palha e manjericão.
Mastro de São João: o Levantamento do mastro de São João é feito no anoitecer da véspera do dia de sua comemoração. O mastro é composto por madeira resistente, roliça e lisa e uma bandeira triangular, com três faces onde aparecem os três santos festejados; Santo Antônio, São João e São Pedro. É costume, também, prender ao mastro milho e laranjas.
São Pedro
Homem de origem humilde foi o principal discípulo de Jesus Cristo, apóstolo e missionário da primitiva Igreja cristã. Filho de Jonas ou João seu nome verdadeiro era Simão, recebeu de Jesus o nome de Pedro no primeiro encontro que teve com ele, nome solenemente ratificado quando lhe promete o primado, que é a razão do novo nome.
Simão Pedro era natural de Betsaida, onde, com seu irmão André e seus amigos e sócios os irmãos Tiago e João, praticava a pesca. Embora num momento da paixão tenha negado ser seu discípulo, Jesus lhe aparece em particular, e na comunidade primitiva ele atua como cabeça.
As fontes de informação sobre Pedro encontram-se nas epístolas de São Paulo, escritas entre os anos 50 e 60; nos quatro evangelhos canônicos, nos Atos dos Apóstolos - escritos entre o ano 65 e fim do século I -, nas epístolas canônicas das quais foi autor mas escritas, provavelmente, por outra pessoa, no século II.
É ele que dá o grande passo de abrir as portas da Igreja aos gentios sem exigir que passem pela lei judia. Foi livre milagrosamente quando Herodes quis matá-lo. Primeiro chefe da comunidade cristã, ali sofreu martírio sob o imperador Nero, no ano 67 (ou 64).