Uma
história de devoção, empenho e solidariedade
A igreja foi perdendo os ares de capela e ganhando altares e novas construções. São José era oficialmente o padroeiro, mas o altar principal continuava a ser ocupado por N. Sra. Achiropita. A santa da devoção dos cerignolanos, N. Sra. da Ripalta, ganhou o altar lateral. Importantes movimentos começaram a se formar na paróquia a partir de 1931 e a revigorar a espiritualidade. Foram fundados a Congregação Mariana de rapazes e, mais tarde, a de moças, a Pia União das Filhas de Maria e a Obras das Vocações Sacerdotais, que vieram juntar-se ao Apostolado da Oração. A Sociedade de São Vicente de Paulo, que existia desde 1916 no bairro, teve inaugurada sua nova sede do Conselho Particular na paróquia no final de 1948. Dom Orione, fundador da congregação responsável pela paróquia, esteve no Bixiga pela segunda vez em 1937 e impulsionou o trabalho desenvolvido pelos padres orionitas desde o começo da década de 20. A comunidade estava ganhando forças. Procissões, romarias e retiros eram realizados freqüentemente e mostravam que a fé do povo continuava a crescer.
Os festejos
A quermesse, tímida no início, tinha apenas um pau de sebo e algumas barracas de prendas. Era a gente pobre do bairro que freqüentava a festa e participava das concorridas procissões de Nossa Senhora. Depois da criação da paróquia, a quermesse começou a expandir-se, ocupando um longo trecho da Treze de Maio. Anos mais tarde, surgiram barracas de comida e a banda dos bersaglieri passou a se apresentar no coreto em frente à igreja. Em 1957, houve uma grande procissão com Nossa Senhora sendo levada em um carro do Corpo de Bombeiros. Acompanharam a procissão as bandas da Força Pública e dos Bombeiros.
Depois do auge dos anos 40 e 50, a festa retraiu-se e, da rua, foi parar no pátio atrás da igreja. As barracas se resumiam a diversas mesas espalhadas no local, onde se vendiam doces caseiros, pastel, churrasco, cachorro-quente e outros quitutes. Em meados dos anos 70, a quermesse voltou às ruas, graças, principalmente, ao empenho dos casais participantes do Encontro de Casaiscom Cristo. A festa ganhou ares tipicamente italianos e, com isso, novo impulso.As novas barracas, vendendo comidas típicas – fogazza, macarrão, polenta, fricazza - substituíram as antigas. Nessa época, foi criada a cantina que ocupava o espaço onde atualmente fica a província. Hoje, a festa mantém-se como um grande atrativo da cidade de São Paulo no mês de agosto e atrai gente de todo o Brasil. Acontece em três momentos: na rua, na cantina e na igreja, durante cinco finais de semana.
As Obras Sociais
Terminadas as obras na igreja, os recursos angariados na Festa de N. Sra. Achiropita passaram a ser destinados à criação e manutenção de obras sociais. Aos poucos, a paróquia comprou as velhas casinhas que existiam ao redor da igreja.
Em março de 1954, no dia de São José, foi inaugurado o Orfanato N. Sra. Achiropita. Quinze anos depois, começou a funcionar a creche paroquial. Conforme as salas se tornavam pequenas em relação ao número de crianças, outros imóveis eram comprados com os lucros obtidos na quermesse e suas paredes derrubadas a fim de expandir a creche. No início da década de 80, a comunidade – capitaneada pelo padre Geraldo Cruz – colocou em prática uma decisão: derrubar as casas, que estavam em péssimo estado, e construir um prédio no lugar. Surgiu, então, o Centro Educacional Dom Orione. O C.E.D.O hoje oferece a mais de 420 crianças atendimento pedagógico e psicológico, atividades lúdicas e artísticas, possibilidade de iniciação profissional, entre outros trabalhos.
No final de 1993, foi inaugurada a Casa Dom Orione, que promove atividades com homens de rua e abriga o Grupo da Terceira Idade, os Alcoólicos Anônimos, a Pastoral Jurídica, além de prestar assistência psicológica, médica e odontológica. Na mesma época, instalou-se também um Centro Comunitário na rua Rocha. Lá são celebradas missas e celebrações da Palavra, funciona o curso de corte e costura e acontecem bazares e bingos, organizados pelos próprios membros do Centro Comunitário.
Uma comunidade a serviço
Em 1975 aconteceu o primeiro Encontro de Casais com Cristo, da paróquia. O ECC serviu de base para a formação de diversas pastorais e equipes na comunidade, que vieram juntar-se aos movimentos já existentes. Antenada com as exigências da vida contemporânea e com o caminhar da Igreja, a Paróquia N. Sra. Achiropita abriu-se à criação de novos espaços de atuação para os leigos na comunidade e, conseqüentemente, no bairro. O início dos anos 90 foi propício para o surgimento de muitos deles: Pastoral da Saúde, Pastoral Afro, Animação Musical, Pastoral Ecumênica, Pastoral da Moradia... São cerca de quarenta grupos, que desenvolvem trabalhos durante o ano todo.
No ano de 2001, a Paróquia N. Sra. Achiropita comemorou
75 anos de existência, colhendo os frutos semeados com muito amor, coragem
e fé pelos imigrantes italianos – em especial, os calabreses- que
fizeram da devoção à Nossa Senhora o verdadeiro pilar da
caminhada dessa comunidade.