A FESTA

Ano de 1926. As ruas são de terra batida, algumas dezenas de casas espalhadas e os caminhões puxados por juntas de bois passam lentamente.

Ao cair da noite, as famílias se reúnem diante das portas de suas casas para conversar. Começa a escurecer e o pequeno sino da capelinha chama os fiéis para a bênção.

Cada pessoa, carregando sua cadeira, caminha para a pequenina igreja. Com a chegada de mais famílias, a capela já é insuficiente para acomodar a todos e boa parte fica do lado de fora. Surge, então, a idéia: vamos construir uma igreja maior! Mas... como fazer? O meio mais tradicional de angariar fundos é lembrado: a quermesse. Mobilizam-se e cada família contribui com prendas, animais e aves para serem vendidos ou leiloados.

Improvisam barracas para a venda de pratos preparados pelas "mammas". Abrem-se listas para doações. Com a transformação oficial em paróquia, um novo ânimo impulsiona a todos. Iniciam-se as obras que, após alguns anos, chegam ao final. A carência de recursos adia por muito tempo a pintura da igreja, devido ao elevado custo.

Somente na década de 50, no apogeu das associações religiosas da comunidade, a pintura é executada. Nesta época também os paroquianos decidem fazer uma coroa para a padroeira e, para isso, realizam uma campanha de doação de anéis, jóias e brincos.

Com o advento do Encontro de Casais com Cristo e, conseqüentemente, com a agregação de muitas famílias, os moradores do Bixiga partem para a construção da primeira grande Obra Social: o Centro Educacional Dom Orione, que atende crianças dos 7 aos 15 anos. Lá, essas crianças recebem alimentação, complementação escolar, artes, iniciação em informática, assistência dentária, encaminhamento profissional etc. Obra dispendiosa, que exigiu a ampliação de nossa festa: o aumento de 5 para 15 barracas e a criação da cantina interna. Com fé na Divina Providência, a comunidade não se acomoda: parte para a construção de mais uma obra, a Casa Dom Orione, com o objetivo de acolher a população de rua, dando-lhes local para higiene pessoal, café, almoço, orientação psicológica, apoio dos Alcóolicos Anônimos e trabalho de recuperação e reintegração social. O trabalho com a terceira idade também ganhou espaço lá: musicoterapia, artesanatos, convivência, coral...

Ano de 2001. Iniciada com a participação de algumas famílias, a festa hoje reúne cerca de 800 pessoas voluntárias, que se empenham ao máximo para oferecer aos participantes uma festa alegre e gostosa, com shows contagiantes e comidas saborosas. Cada equipista assume a sua missão com alegria, disposição e doação. Mais de 120 mil pessoas visitam o Bixiga e a Festa d’Achiropita todos os anos. Todos – equipistas e visitantes – nos unimos no louvor a Nossa Mãe querida, lembrando o lema de Dom Orione: "Ave Maria e avante!" .


Sebastião Moitinho (*)

(*) A Equipe de Festas é formada por cinco casais da paróquia e tem, sob sua responsabilidade, a coordenação e supervisão dos trabalhos e eventos relacionados à Festa de Nossa Senhora Achiropita, que se estendem durante o ano todo e atingem o auge durante o mês de agosto. Todo ano a equipe se renova ou seja, em um ano troca-se dois casais e no outro ano tres casais.


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